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20 março 2014

Equinócio da Primavera

Por Omraam Mikhael Aivanhov

Ostara - Jaine Rose

(...) Já vos apercebestes de que por toda a parte, à nossa volta, está para se produzir um acontecimento que se chama "Primavera"... Ah! Já vos destes conta... É magnífico! Sente-se que tudo mexe, é uma nova vaga que brota do Cosmos e daqui a muito pouco tempo, sobre toda a Terra, as flores, as árvores, os pássaros... que adornos! Eis um dos mais extraordinários fenómenos da vida: a Primavera.

Em cada ano, tudo se renova... Sim, tudo, excepto os humanos! Esses ficam tais como são, não se põem em sintonia com esta renovação. Eles sentem bem que se passa qualquer coisa no ar, mas não se deixam influenciar. É preciso que aprendam a abrir as suas portas e janelas para que esta vida possa penetrar neles e impregná-los. (...) Porque é pena que esta renovação se produza só na Natureza, e que os humanos, demasiado concentrados sobre coisas velhas, quase não dêem por ela. É preciso estar livre, desapegado, e receber de braços abertos esta vida nova. (...) Esta voz que se faz ouvir e diz a todos os gérmens, a todas as sementes: "Vamos, despertai, crescei agora!" é de uma potência espantosa, mas a maior parte das pessoas estão surdas para ela, e continuam na mesma, entorpecidas, estagnadas.

Para um Iniciado, este período do equinócio da Primavera é muito importante. Ele sabe utilizá-lo para fazer todo um trabalho de purificação, de regeneração. Sim, não basta notar que os pássaros cantam, que as flores crescem e que as pessoas estão um pouco mais alegres. Há todo um trabalho a fazer, um trabalho de renovação. Deixai todos os outros assuntos de lado, tudo o que já está velho e caduco, e concentrai-vos unicamente na nova vida para poderdes entrar em comunicação com a enorme corrente que brota do coração do Universo.

Sim, alegrai-vos, a Primavera está aí, cantai, dançai! Dirão alguns: "Para nós, acabou-se... a Primavera é para os jovens." Aqueles que raciocinam assim separam-se da vida. Todos devem caminhar em sintonia com a renovação, porque não há aqui distinção a fazer entre jovens e velhos. Já ouvistes alguma vez árvores velhas dizerem: "Bom, sabe, nós já passámos a idade de florir e de reverdecer, deixamos isso agora às jovens?" Não, também elas, na Primavera, se cobrem de flores e de folhas. Por conseguinte, mesmo as velhas avós, mesmos os velhos avôs, devem entrar na roda, saltitar, pular, dançar e tudo lhes correrá melhor.

Como é possível não se ver que toda a Natureza pensa e nós? Em cada ano, pela Primavera, ela envia-nos todas as energias e estimulantes de que temos necessidade para o resto do ano, e cabe-nos a nós não os deixar passar sem guardar nada.

Já recebestes muito esta manhã ao nascer-do-sol. (...) Reparai ao menos no trabalho que ele faz sobre todas as sementezinhas que estavam adormecidas! Ele disse-lhes: "Mas do que é que estais à espera? Agora, é preciso dar qualquer coisa. Vamos, ála! Ao trabalho! - Mas nós somos pequenas, somos fracas... - Não, não, experimentai e vereis, eu vou ajudar-vos." E, então, todas essas sementes tomam coragem. Todos os dias o Sol as aquece, as acaricia, lhes fala, e, após algum tempo, aparecem flores magníficas ao pé das quais os poetas, os pintores, os músicos, vêm encantar-se e inspirar-se. Porque é que não há-de acontecer a mesma coisa connosco?

Nós somos sementes plantadas algures no solo espiritual (...).

É isto, pois, a renovação, a regeneração que se aproxima, e é este processo que nos interessa; tudo o resto deve ser posto de parte. Este período do equinócio da Primavera é um dos mais importantes do ano.


Fonte:
AIVANHOV, M.: O Natal e a Páscoa na tradição iniciática, Edições Prosveta, 1982, pp.77-80 

04 março 2014

Máscaras de Noémia Delgado

Ao terminar o Entrudo, destacamos o documentário realizado por Noémia Delgado, em 1976, dedicado às celebrações dentro do ciclo invernal. 

Nota de advertência para algumas imagens que podem ferir a sensibilidade do espectador!






Fonte
http://archaeoethnologica.blogspot.pt

03 março 2014

A Alma do Entrudo

Carlos González Ximénez - Álbum de Carnavais Rurais aqui


Na fronteira entre o Inverno e a Primavera, os demónios andam à solta em Lazarim. Com cerca de 700 habitantes e um único acesso por estrada, esta vila do concelho de Lamego é palco de um dos Entrudos mais genuínos de Portugal. 
A festa começa muitas semanas antes do domingo gordo. Os artesãos esculpem as máscaras dos caretos em madeira de amieiro, os rapazes e as raparigas miram os defeitos uns dos outros para redigirem depois os ácidos testamentos em rima. Terminada a queima do compadre e da comadre, todos se juntam no terreiro do Carnaval para partilhar os sabores de uma feijoada e de um caldo de farinha.

Reportagem de Manuel Vilas Boas com montagem e sonorização de João Félix, a 24 de Março de 2006. Para ouvir aqui.






08 dezembro 2013

Espiral de Advento

Na segunda semana do Advento, ainda a espiral... e o caminho de Maria, o caminho de todos nós.

Espiral como energia cósmica, sol, nascimento, morte e renascimento. Símbolo de evolução e involução. Presente em muitas culturas, ao ser associada à vida, está representada em muitas divindades femininas do paleolítico.

Advento é tempo de contemplação, de preparação, de espera pelo que virá durante as festividades do Inverno. Tempo de procura.

Na orientação Waldorf o cerimonial do Advento e do Inverno celebra-se através de um ritual que tem como base uma espiral:

Evergreen boughs are laid on the floor or ground to create a spiral. In the center of the spiral is a lit candle. The room is darkened (or it is nighttime if held outdoors) and each child takes a turn to walk the spiral holding an unlit candle. As the child reaches the center, she lights her candle from the center candle and then retraces her steps out of the spiral. The child brings forth the Light as she walks outward and chooses a place along the spiral to set her lit candle. As child after child has a turn and more and more lit candles grace the spiral, the room becomes increasingly filled with light. Nothing formal is explained to the children; it is a lived experience that takes place within them at a level beyond words.

Espiral de luz, movimento e mudança.



A liturgia celebra frequentemente a Virgem Maria como exemplo durante esta época do Advento, designadamente as Igrejas Ortodoxas. E curioso, ou não, a ligação da espiral/labirinto ao nascimento -

 (...) the baby begins its birth journey in the center of the spiral, which represents the womb, and during the course of labor, it follows the rings in the spiral until it tumbles out. (Pam England, Labyrinth of Birth, p. X).










31 outubro 2013

Halloween... Samhain... por cá são os Magustos!

O título do post de hoje é daqui

Finaliza a época das colheitas. Entra a estação da escuridão.

O véu entre o mundo dos vivos e dos mortos torna-se mais ténue. Celebra-se a morte e o renascimento, honrando os antepassados.

O elemento fogo, presente nas fogueiras, purifica e protege, despoletando uma postura intropectiva, tal como as sementes que se vão desenvolvendo na terra. 

O autor galego José Manuel Barbosa refere que "ao nome de Magusto têem-se-lhe dado várias orígenes etimológicas dentre elas a de “MAGNUS USTUS” que vem significar al assim como “grande fogueira” donde MAGNUS é grande e USTUS, queimado, ardido, o participio passado do verbo “Uro”, arder, queimar. Pode ter umha certa lógica mas nós quigêramos propor outra desde aquí que tem a ver com as palavras “MAGUS” feiticeiro, bruxo, mago e “USTUS”. A maioria das palavras em galego-português provêem do acusativo latino que neste caso seria “MAGUM USTUM” donde seria mais fácil explicar a deriva para “Magusto”, e mesmo em dativo “MAGO USTO” literalmente “…ao ou para o mago queimado” querendo falar quiçá dumha fogueira para queimar magos segundo criterios anti-pagaos medievais? Quiçá se refira à fogueira onde os magos faziam as suas queimadas entendidas como rituais com fogo? Pode derivar daí a queimada galega com o seu ritual hoje vulgarizado e desprovido de qualquer conotaçom esotérica? 





Recomendados dois artigos sobre a presença dos magustos/magostos no património imaterial galego-português -  aqui e aqui




22 setembro 2013

Equinócio de outono

Tempo de colheitas. Tempo de honrar a nossa jornada e apreciar as sementes plantadas e o seu desabrochar. Abrir o coração em gratidão...






... Os dias vão reduzindo a sua duração, a natureza e o Homem entram num período introspectivo, necessário para renovação e amadurecimento. No Homem e na Natureza, há sementes que só germinam, árvores que só dão fruto, após o frio necessário para lhes quebrar a dormência, após a acalmia e o recolhimento invernal.
Assim, que este Outono que se avizinha seja produtivo em reflexão e projectos que fertilizem e renovem a nossa esperança individual e colectiva, a nossa vitalidade e capacidade de vencer as maiores dificuldades.
Que a crise possa ser oportunidade para revitalizar as nossas raízes e a nossa ligação à terra, reencontrando nela rumo e identidade.
Saibamos passar além deste Bojador, sulcando novos e melhores caminhos.



Fonte:

04 setembro 2013

September new moon - ayurvedic seasonal wisdom for autumn


As the second full moon of August waxes towards the first new moon of September here in the mountain there has been a definite shift towards autumn that can be felt in the cool mornings and earlier evenings, and can be seen in the first yellow leaves beginning to fall from the trees. The fullness of summer has passed, and though there will hopefully still be many sunny days to come, the energetic quality of the season has changed into a deeper, slower rhythm. I can feel it as a call to sit longer in my meditation, and a craving for soups simmered in my crockpot. I feel less desire to rush, or to fill every minute of my day, but instead am relishing the space in between activity when I can just pause and relax with a good book or simply sit on the porch and listen to the wind in the trees. The intensity of summer is passing and with it the increased subtlety of autumn is being revealed.




According to Ayurveda the season of fall to early winter is ruled by the elements of Air and Ether, which means the qualities of dryness, subtlety, movement & spaciousness are most dominant.  Each season has its inherent wisdom and offers us teachings if we are sensitive enough to receive them.  As we become more attuned to the rhythms of nature we will find that we naturally begin to shift our diet and our activities to reflect the changes in season, and these changes will allow us to synchronize with the new season so that we can avoid imbalances. Common autumn imbalances are colds and flus, achy joints, dry skin, constipation, nervousness, and anxiety.

However when we are in balance autumn becomes a time when we are most naturally drawn inwards and the mind becomes clear, capable of making decisions from a place of enhanced intuition and insight. It is the time of year when our minds most want to be nourished with knowledge and inspiration as well so it seems no coincidence to me that this is the season that we go “back to school”, as the mind is naturally more curious at this time of year. Which means this can also be a great time of year to undertake a new course of study or attend to creative projects. The higher levels of physical activity that are so natural during the long days of summer seem too frenetic now and we will naturally feel less desire to rush around. In fact rushing and overfilling our calendar during this season can lead to a mind that feels ungrounded and a body that is tense and tight. As much as is possible try to avoid doing more than you need to each day and instead used the increased quality of focus that this season brings to become more efficient and organized in your actions so that there is some space for stillness in your day and your movements are not frenzied.  Autumn is the key time during the cycle of the year to create and establish healthy routines and rituals, and it is the time where we will become the most imbalanced if our rhythm is erratic and so placing your attention on creating these healthy rhythms can be one of the best ways to utilize your energy at this time of year.

As far as our diet goes the best foods to eat this time of year are foods that are naturally sweet, salty or sour. These are the tastes that will build tissue, allowing us to feel insulated against winters chill, moisten tissue to combat the dryness of this season, and stimulate digestion, which can be weak as we shift from summer to fall. Examples of naturally sweet foods that are harvested this time of year are root vegetables, stewed apples, and grains. The sour taste can be found in naturally fermented foods, which will help, build healthy intestinal flora and lemons, which are cleansing and warming as well. The salty flavor is naturally found in seaweeds, which can be added to autumn stews to increase mineral uptake and ground the mind.  In general eating more cooked foods and foods that have a high water content like soups and stews is a good idea this time of year and you will probably find you have less interest in salads and ice cold drinks.

Autumn is also a very good time to do a simple cleanse to remove any excess heat from the tissues of the body, and the mind. Examples of this would be sticking to vegetable broths, fresh vegetable juices, stewed fruits, and herbal teas for a few days while cutting out excess activity and mental stimulation. Or doing a classical Kitchari cleanse if you feel a need for deeper nourishment and grounding. The simplicity of cleansing is key for body and mind and I have found that making a habit of cleansing in spring and fall is one of the easiest ways for me to nourish my health and keep my immunity high.

(...)

Fonte


24 junho 2013

São João


Por Flor

Festa cíclica, de raiz pagã, que assenta, fundamentalmente em “sortes” amorosas, encantamentos e divinações que se devem relacionar, por um lado, com o casamento, a saúde e a felicidade, mas que andam também estreitamente ligadas aos antigos cultos pagãos do Sol e do fogo e às virtudes das ervas bentas, ao orvalho, às fogueiras, à água dos rios, do mar e das fontes.

Quem saltar a fogueira na noite de S. João, em numero ímpar de saltos e no mínimo três vezes, fica por todo o ano protegido de todos os males.

Diz a tradição que as cinzas de uma fogueira de S. João curam certas doenças de pele. Para certos males, são benéficos os banhos que se tomem na manhã do dia de S. João, mas antes do Sol nascer. No Porto,  os que se tomavam nas praias do rio Douro ou nos areais da Foz, valiam por nove...

As orvalhadas têm a ver com a fecundidade. Uma mulher que se rebole de madrugada sobre a erva húmida dos campos (“...para tomar orvalhadas / nos campos de Cedofeita”) fica apta para conceber. Segundo um conceito antigo as orvalhadas eram entendidas como o suor ou a saliva dos deuses da fertilidade. Uma outra velha tradição assegura que os namoros arranjados pelo S. João são muito mais duradouros do que os que se formam pelo Carnaval “que não vêm chegar o Natal..."

Em Beja põem-se, numa tábua, 12 montinhos de sal, aos quais se dão os nomes dos meses. Passam depois a tábua pelo fumo de uma fogueira e deixam-na ficar toda a noite ao relento da manhã. Antes de o sol nascer, correm à tábua para examinarem qual dos montinhos de sal está mais húmido, e é então que sabem quais os meses em que choverá mais, segundo os nomes que lhes deram e a humidade de cada um.

Em Trás-os-Montes, acreditava-se que o costume de as raparigas cortarem as pontas do cabelo e, antes do nascer do Sol, as colocarem sobre uma silva mansa fazia com que as pontas não voltassem a espigar.

Por todo o País, criaram-se estas lendas em volta da noite de São João.

Em Lisboa diz-se que se na noite de São João a rapariga põe a mesa com dois pratos, talheres e comida e à meia-noite começa a comer, no lugar vazio surge-lhe a figura do futuro noivo.

No Algarve, segundo a tradição local, enquanto as raparigas dançavam em redor de um mastro enfeitado com madressilva e flores de São João, os rapazes saltavam a fogueira, o que os tornava homens adultos e protegia as crianças das doenças.

As mães passavam por cima das chamas (sem queimar, claro) as crianças doentes ou fracas, e para todos era bom dizer quando saltavam a fogueira:

"Fogo no sargaço,
saúde no meu braço.
Fogo no rosmaninho,
saúde no meu peitinho."

A noite de São João é considerada mágica desde a Idade Média. Diz-se que as "mouras encantadas" deixam a forma de cobras, com que vivem todo o ano, e vêm à tona da água com figura humana. Na madrugada de São João vão as mouras estender os seus tesouros à orvalha do campo. Esses tesouros ficam aí encantados sob a forma de figos. Se alguém passa, os apanha e não os come, transformam-se em verdadeiros tesouros. Se, porém, a pessoa que os apanha os come, reduzem-se logo a carvão. 


 Estrela Faria -  Feira de S. João











Fontes



21 junho 2013

Summer Solstice manifests the power and grace of Agni, the Sacred Fire


This solstice may our prayers bring harmony and peace to the suffering and strife in the existing worldly Maya. May Ma Ganga heal the Himalayas and bring respite to every pilgrimage caught in her whirlpools!

The Summer Solstice marks the longest day of the year, in which the northern hemisphere is most aligned with the rays of the Sun. As the Sun is the source of Light, Prana, wisdom, intelligence and awareness for the planet, it is a most auspicious day. This June 20-21 solstice day is marked by several astrological events. 

In the Rig-Veda the ancient Hindu scriptures ‘Ayur’ is explained as Agni or fire which encompasses our soul stirrings or essence of life. The soul or reincarnating being is veiled in the body, mind and consciousness in the form of fire and Light. On the summer solstice, that energy of light is most evident.

The solstice energy is ideal for sadhana or spiritual practices and also highlights the continual outward difficulties in the world as we continue to head into a global time of dilemma and quandary. The solstice is a great day in which to aspire to the highest and to transcend time and space altogether.

The world today is drawing in the adverse aspects of the fire element mirroring our karmic patterns of upheaval causing floods in some areas, fires in nature burning down the flora and fauna in other areas. We see the reality of this fire principle stoking the unrest in our minds and hearts worldwide. We need to harmonize and draw in the positive aspects of the fire element, the powers of Divine light, love, nurturing and compassion in order to counter our capricious nature.

The solstice is a time of sacred contemplation, celebration and initiation into ancient fire ceremonies. Agni or the sacred fire manifests in our lives through Mother Earth, Mother Nature, the cosmic heavens and our own deeper internal fires of intelligence, consciousness and bliss.

Presently there is a powerful Kala Sarpa Yoga or Serpent of Time, where all the planets are caught up between the nodes of the Moon. Kala Sarpa Yoga causes significant and unexpected disruptions in the outer world and in our inner world, causing problems with communication, electrical energies and atmsopheric forces. The Kala Sarpa Yoga reflects being caught up in karmic forces, compelling us to take a deeper view of the larger picture.

(...)
At the dawn of this solstice may we welcome the transition through deeper sadhana with prayer, tapasya, puja and solitude, offering water and honey to the rising Sun with Surya mantras and invocations. One should take the time to honor the Sun, chant the names of the Sun, particularly while standing in water, and to offer ghee and honey to the Sun in the form of a murti, Yantra or stone. The Sun can grant us health, success in career, and spiritual knowledge. One can contact the Soma or bliss energy of the Sun with mantras on the Summer Solstice. The powerful Paramjyoti mantra invokes the Supreme Light!

Let this year be a sattvic celebration of the soul and not a rajasic overture of tamasic aspirations. We need to calm and heal the energies around us to dissipate the aggression and turmoil.

May we bow this day to the awesome power of Surya Deva, the Sun Lord and seek divine blessings for a harmonious existence in sync with Mother Earth and Mother Nature.


Jai Ma Guru!

Fonte
Yogini Shambhavi Shakti Dharma

20 junho 2013

Solstício de Verão

Por Margarida Oliveira


SOL
Divindade envolta num profundo mistério relacionado com os fenómenos vitais. Símbolo da libertação da opressão invernal que submerge, os países setentrionais e circumpolares, num longo e escuro período de esterilidade. É o pêndulo do relógio que marca as horas do princípio e do fim das estações do ano.
No seu curso crescente, iniciado logo após a noite mais longa do Solstício de Inverno, o Sol vai abrindo brechas na penumbra até à sua consagração no Solstício de Verão. Vários povos representam esta viagem, de vida, morte e renascimento, em expressivas espirais solares crescendo a partir do estado de recolhimento, expandindo no zénite estival e inflectindo, ao ponto original, imitando o minguar do Sol com a aproximação do inverno.
Os ciclos naturais, celebrados desde tempos imemoriais, expressam uma matemática simbólica ao assinalarem a alternância das núpcias cósmicas entre a  bênção do céu e a generosidade da terra.
O Calor do Sol assemelha-se ao Calor Ígneo: ambos inacessíveis e incomportáveis, ambos imprescindíveis à sobrevivência. O fogo purifica e transforma. O Sol injecta nos solos o pulsar criador.

LITHA
Solstício de Verão:
Regresso do esplendor aos céus e da vida ao ventre da Mãe-Terra.
(...)
Festa SOLAR
Celebração elementar do FOGO.
O Deus Sol no auge...
As flores, as árvores, o verde em todo o esplendor...
Cernunos, o Deus Cornudo, em toda a plenitude, maduro e feliz.
A Deusa, fecundada no Beltane (01 de Maio) está grávida e assume os atributos de Deusa Mãe.
No dia mais longo do ano a luz prevalece sobre a escuridão garantindo poder e protecção. Celebra-se a abundância. Celebra-se a Vida

Outras denominações existem para este festival:
·“CoamHain - Midsummer” (“meio do verão” iniciado a 1 de Maio com as festividades do Beltane)
·“Alban Heffin” (designação druídica) “Luz da Costa” ou “Luz do Verão”, fazendo alusão ao triunfo da luz sobre as trevas.
Sob o efeito excitante do Verão, a alegria apodera-se das gentes. As consciências descontraem-se, num estado de alucinação sensorial e sensual.
É no estio que os dias adquirem especial poder, descrito por Rudolph Steiner como o  “phosphoro alquímico, invisível da atmosfera”, através do qual  “entidades oriundas dos mundos estelares entram no nosso organismo etéreo, tornando-o permeável a forças cósmicas necessárias à celebração da metamorfose da alma”.
Todavia é também hoje que o pico de luz entra em declínio culminando no Samhain, Halloween ou Alban Arthan  recordando ao homem o quão transitória é a existência.
Lendas, rituais, sítios e tradições seculares associam-se ao Solstício de Verão, testemunhando a sua relevância cerimonial:
·Monumentos megalíticos alinhados, nos solstícios, com o nascer e o pôr do Sol...
·Colheita, partilha e secagem de ervas medicinais e aromáticas que, pela conjuntura astral, estão agora nutridas do máximo poder curativo, alquímico e mágico do SOL...
·Banhos purificadores e curas milagrosas ocorridas em rios, fontes e cascatas...
·É nesta noite a seiva das árvores está vivaz. Escolhem-se os ramos para as varas de condão, usadas pelos celtas em círculos cerimoniais e rituais de cura enquanto canalizadores de energia.
·O sonhado, desejado ou pedido na noite de Litha realizar-se-á...
.Esta noite que Puck, Pan, Elfos, Fadas, Duendes e Gnomos correm pelos campos e florestas sendo facilmente avistados e contactados...
·Os Druidas veneram Ogham – Duir, o Carvalho. Árvore nobre, símbolo de força, sabedoria e iluminação, pelo crescimento lento, como lenta é a maturação do espirito. A elevada densidade da sua madeira corresponde à solidez espiritual adquirida ao longo do caminho. O Carvalho está também associado à iluminação devido ao especial tropismo dos relâmpagos por esta árvore.
·Rituais de Fogo e Água remontam a ancestrais tradições pagãs, egípcias, gregas, celtas e bárbaras: Rituais de fogo representando o poder fecundador encarnado no Deus Cornudo; Rituais de água representando a fertilidade de Deusa e simbolizados pelo caldeirão de Ceridwen.

Ânima Lusa
Encontramos hoje os ecos cristianizados de antigas tradições pagãs nas celebrações do advento do verão, do Solstício e nas que decorrem ao longo de todo o estio.
Alguns autores afirmam que a tradição dos ritos solares foi trazida para a Península Ibérica pelos árabes (acender fogueiras ainda é uma prática comum em Marrocos e na Argélia). Todavia, nas nossas festas e romarias é, também, evidente a influência celta, visigótica e xamânica.
Hoje, em Portugal, inicia-se um ciclo de dias longos e noites curtas, plenas de eflorescência azulada mimetizando uma extensão dos dias. Estas noites luminosas são realçadas pelas fogueiras e os balões iluminados das festas populares que por estas paragens honram Santo António, São João Baptista e São Pedro, numa espécie de celebração da tríplice, solar e masculina.
Em Junho e Julho, abarcando todo o período do signo de Caranguejo, Portugal está cheio de festividades que pontuam pela cor, luz, alegria e sedução amorosa.
Manjerico, alecrim, funcho, tomilho, verbena, alho-porro, camomila, girassol... Ervas aromáticas, curativas, mágicas, alusivas ao Sol, ervas que nos inspiram e embriagam o espírito.
Igrejas, altares, janelas, ruas e gentes vestem-se de branco, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho.

O fogo é vivificado, numa reverência dionisíaca ao FOGO SOLAR iluminando o céu e a terra:
Pelas fogueiras que, se saltam para espantar o infortúnio e a negatividade, feitas na rua e à porta de casa, purificam e abençoam quem à sua volta dança e histórias conta;
Pelos balões coloridos e iluminados que, pendurados em arcos ou lançados ao céu, simbolizam estrelas cadentes na escuridão nocturna.
Estes são ritos propiciatórios do Fogo, que até ao Equinócio de Outono, ganha força sob a forma de calor, compensando o progressivo declínio da luz.




Mas a Tradição Mágica Lusitana não se fica pelo FOGO e o Masculino, reverencia também a ÁGUA e o Feminino:
 Água da meia-noite, a “água nova” renovadora e mágica e a Água da Alvorada. E por isso se dança até ao romper da aurora, para que o Orvalho nos banhe e assim celebremos um novo ciclo anual.
A sardinha, prateada e vivaz, simboliza as águas correntes e a Lua. Abundantemente consumida nas festas de verão equilibra o Sol, a ele se une e fortifica o Homem balanceando a dualidade sexual. E... é esta união cósmica e ritual do Sol e da Lua que inspira a tradição casamenteira da quadra.
O casamento romântico dos enamorados e o casamento com Fadas ou Mouras Encantadas simbolizando o tradicional ritual de passagem. Mouras Encantadas que protagonizam inúmeras lendas do cancioneiro popular Análogas de Artemisa, de Östara, Deusa Regeneradora dos Visigodos, e da Serpente Guardiã da lenda nórdica de Thora.
Durante o resto do ano as Mouras Encantadas estão adormecidas ou transformadas em serpentes. No Equinócio da Primavera e no Solstício de Verão aparecem em penedos remotos, bosques densos, fontes e ribeiras, como belas donzelas, virgens de longos cabelos dourados e de branco vestidas.
Possuindo dons curativos e poderes mágicos que apaziguam as almas, fazem nascentes brotar e ouro gerar, as “Senhoras Brancas”, vão propondo casamento aos passantes e premeiam, com felicidade e prosperidade, o corajoso jovem que se aventure as desposá-las libertando-as do encantamento. Esta valência feminina, mágica e sagrada na tradição nacional é tão importante que, esta quadra solsticial, inaugura uma série de festividades alusivas a “Nossa Senhora”, que se prolongam por todo verão e se celebram em santuários arborizados e luxuriantes, localizados frequentemente em montes e sítios ermos, de difícil acesso.
Portugal transporta um passado ancestral e mítico de união com a Natureza sendo disso testemunha o nosso folclore que remanesce como um reservatório de cultos e tradições que, embora esmaecidos por imposições dogmáticas, vão permanecendo nas romarias e festas sazonais.

EPÍLOGO
Aos Solstícios não ficam alheias as nossas consciências colectiva e individual. São ancestrais os festivais solares, enquanto representações da fusão dos Espíritos Superior do Sol, do Deus Cornudo e do Homem. Já os gregos chamavam “Apolo de Chifres” ao “Espírito Invisível do Sol” espelhando aquela interpenetração.
Reflectindo os ciclos sazonais, de fertilidade e esterilidade, e estimulando as forças sobrenaturais da personalidade, a Celebração Solar desperta a nossa consciência atávica pois não só objectiva a sintonia com a Natureza, mas também a Experiência Mística que profetiza, na metamorfose da Terra, a potencialidade para a transformação do Homem


“Onde o Deus e a Deusa se Unem
Em Perpétuo Amor e Fecundidade

Nasce a Fertilidade e a Sabedoria"


Fonte

21 março 2013

Primavera de Miguel Torga





Glória

Depois do Inverno, morte figurada,
A primavera, uma assunção de flores.
A vida
Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores.



Anunciação

Surdo murmúrio do rio, a deslizar, pausado, na planura.
Mensageiro moroso dum recado comprido,
di-lo sem pressa ao alarmado ouvido dos salgueirais:
a neve derreteu nos píncaros da serra;
o gado berra dentro dos currais,
a lembrar aos zagais o fim do cativeiro;
anda no ar um perfumado cheiro a terra revolvida;
o vento emudeceu;
o sol desceu;
a primavera vai chegar, florida.


Miguel Torga




20 março 2013

Equinócio da Primavera






Ancestralmente, certos povos pré-históricos efectuavam diversos rituais, por altura do equinócio da primavera, tendo como propósito nas suas preces o desejo de um ano novo, do renovar da esperança e sobretudo do desejo de abundância e fertilidade.
Alguns destes costumes pagãos, apesar de aculturados, chegaram até nós com os mesmos propósitos de então. No Alentejo existe um ritual, em S. Pedro do Corval, onde as mulheres atiravam, e ainda atiram, calhaus rolados (supostamente ovos) para o topo de um menir, denominado “Rocha dos Namorados”, de configuração erecta (figura do órgão masculino), cravado na terra (símbolo da deusa mãe) procurando assim a fertilidade e a fecundidade desejadas. Segundo a tradição, ainda presente, as raparigas solteiras vão à “rocha dos namorados”, na segunda-feira de Páscoa, lançar uma pedra para cima do menir procurando resposta sobrenatural em matéria do seu enlace: cada lançamento falhado representa mais um ano de espera do seu casamento.

Numa leitura mais atenta aos monumentos megalíticos circundantes, encontramos o Alinhamento ou Cromeleque dos Almendres (estas construções, únicas na Europa ocidental, estendem-se desde Inglaterra até Portugal), um recinto alongado, com cerca de uma centena de menires, na sua maioria de forma ovóide, que constituiu, por certo, além de uma construção de carácter multifuncional capaz de organizar e estruturar a sociedade envolvente, uma estrutura de carácter religioso envolvendo, supostamente, rituais propiciatórios de fecundidade. Um dos menires, situado na extremidade norte, exibe três imagens solares radiadas. Tal iconografia corresponde, provavelmente, ao momento final do Neolítico, quando na região se fizeram sentir as primeiras influências culturais das primeiras comunidades da idade dos metais, portadoras de uma nova estrutura religiosa. Esta religiosidade centrada numa divindade feminina, idealizada com grandes olhos solares, assumira-se como a grande “deusa ibérica”. Certamente que estas manifestações na Europa ocidental, feitas através de cerimónias de carácter sexual, com libações e outras ofertas corporais, não são alheias a um dos mais importantes rituais em honra de Ishtar, deusa da fertilidade, deusa dos arcádios. Esta divindade, Ishtar, não é mais do que a representação da deusa Inanna, herança dos seus antecessores povos sumérios; cognata da deusa Asterote dos filisteus; da deusa Isis dos egípcios; e da deusa Astarte dos Gregos. Mais tarde esta deusa, Ishtar, foi assumida também na mitologia Nórdica como Easter (Páscoa em Inglês), a deusa da fertilidade e da primavera.
No equinócio da primavera, os participantes em honra da deusa da fertilidade Easter pintavam e decoravam ovos escondendo-os em tocas nos campos, na sequência de anteriores práticas já exercitadas pelos Persas, Romanos, Judeus eArménios.

No século XVI, Cesare Ripa, no seu tratado de iconologia, descreve a “Fecundidade” como uma “mulher coroada com folhas de zimbro que com as mãos aperta contra os seus seios um ninho de pintassilgos com os seus filhotes. Segundo Plínio, lib. X, cap. LXIII, o pintassilgo é um dos mais pequenos mas dos mais profícuos animais, pondo de cada vez doze ovos.
A seus pés, uma galinha com os pintos recém-nascidos, saindo de cada ovo. Do outro lado, uma lebre rodeada pelas crias.
O zimbro é a planta que possui sementes capazes de alimentar os animais. Os pintassilgos representam as crias, os filhos; as galinhas, os ovos e os coelhos anunciam a fertilidade, que é a maior bênção que uma mulher pode ter no casamento”.
Toda esta imagem iconográfica (Mulher coroada com zimbro, acompanhada de Ovos, Pintassilgos, coelhos, galinhas) evidencia a aspiração ancestral do ser humano: o anseio de abastança, o desejo de fertilidade e de fecundidade.
(...)

Fonte:



Os equinócios são portais cuja travessia nos permite ascender a um estado de consciência mais elevado e a um mais profundo conhecimento de nós próprios. Pedem-nos que deixemos partir tudo o que já não nos serve, abrindo assim espaço para o novo, que podemos então acolher de todo o coração.
   
Os equinócios (de aequus, ou igual, e nox, ou noite) são, como o nome indica, períodos nos quais a noite dura o mesmo tempo que o dia, ou seja, 12 horas. O equinócio é, a todos os títulos, um momento excepcional no ano, quando o Sol, centro do nosso sistema e sustento de toda a vida no planeta, determina o equilíbrio perfeito dos pratos da balança cósmica. Pelo menos por um instante, o instante equinocial, todas as possibilidades estão suspensas na mais instável e delicada das harmonias.

(...)A partir deste momento, a luz ganha a batalha contra a escuridão invernal, e toda a Terra celebra a morte do ano velho e a entrada num novo ano – embora por vezes, afirmam alguns, esta vitória da Luz não se faça sem grandes perigos e agitação, associando-se os momentos equinociais ao recrudescimento de guerras, sublevações e catástrofes naturais. Afinal, dificilmente se abandona um sistema por outro sem algum sofrimento e resistência.
Esta é a época em que, conforme as nossas crenças e inclinações naturais, festejamos a morte e ressurreição de Jesus, filho e fruto de Maria, ou então o regresso de Perséfone, a Donzela, do mundo subterrâneo, também ela símbolo da alma renascida após uma descida às profundezas da materialidade. Este é o momento de triunfo da Aurora, da Estrela da Manhã, de Astarte, Ísis, Afrodite, Deméter e Maria, quando a Natureza carregada com as suas primícias se revela num festival de abundância, sabores, cores e perfumes sem par. Este é o tempo da Deusa fértil, dando à luz os rebentos infinitamente variados de toda a Criação, e é também o tempo dos seus filhos sagrados, sejam Cristo, Adónis, Osíris ou Dionísio, em cada ano mortos como a vegetação mas destinados a renascer em cada Primavera.

Nesta altura do ano temos a oportunidade, mas também o dever, de fazer uma verdadeira Limpeza da Primavera nas nossas vidas. Planear uma limpeza ou organização da casa, ou de algum aspecto do nosso quotidiano, pode ser uma boa maneira de dar início ao processo. A energia equinocial apoia-nos neste momento, quando despertamos da letargia invernal ávidos de luz, de ar puro e de beleza. Trata-se de deixar entrar essa luz e ar e de criar essa beleza também em nós e no mundo que nos rodeia, pelo qual somos responsáveis, e que, sendo um Cosmos em miniatura, é símbolo do Universo inteiro. Sejamos nós também Criadores, parceiros da Natureza, e exultantes com a nossa própria Criação, por mais modesta que pareça.
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Fonte:


02 fevereiro 2013

A Festa da Luz, da Candelária (Imbolc)

Por estes dias (1 e 2 de fevereiro), sagrados para as antigas tradições matriarcais, acendia-se, mais uma vez, o fogo. O culto do fogo perpétuo tem raízes na aurora da humanidade, para quem este fogo era essencial para a sua própria sobrevivência. Representando o retorno do calor e o incremento da luz solar, da Luz da Vida, o acordar da terra e a preparação desta mesma ao encontro da primavera, da fertilidade.

A Deusa céltica do Fogo, Brighid, é homenageada com fogueiras, rodas solares, coroas de velas e rituais, procurando assim despertar o fogo criador. Esta Deusa Tríplice guia-nos ao Entrudo com os seus atributos, regendo a Inspiração (arte, criatividade, poesia e profecia), a Cura (ervas, medicina, cura espiritual e fertilidade) e a Metalurgia (ferreiros, ourives e artesãos).



A data foi cristianizada com o nome de Nossa Srª das Candeias, ou Candelárias, no dia 2 de Fevereiro, sendo uma festa igualmente feminina onde é (era) habitual haver uma cerimónia de benção e procissão das velas.
São cerca de 70 as localidades portuguesas que têm por padroeira a Nossa Senhora da Luz, Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora da Purificação. Entre outras tradições, esta celebração envolve uma novena, a decoração especial da igreja e uma procissão. No inicio da expansão do cristianismo, as populações mantinham a tradição pagã de acender velas, pelo que os sacerdotes começaram a encaminhar as procissões para o interior das igrejas, criando assim as procissões de velas.

Segundo alguns saberes ancestrais, este dia assinala também o inicio da floração das oliveiras (oliveiras = azeite = luz) e é tempo de se comerem filhoses (antigamente também fritas em azeite), que têm anualmente três dias específicos: o natal, 8 de Dezembro (Imaculada Conceição) e este mesmo dia.



Imbolc, Candelária, Festa de Brígida... Em qualquer das tradições em apreço celebra-se o fim do Inverno e o retorno da Luz primaveril.



Fontes:
http://castelodasandrix.wordpress.com/2011/02/01/a-festa-da-luz-imbolc-the-celebration-of-light-imbolc/

http://durvate.wordpress.com/2012/01/31/vem-ai-o-entroido-imbolc/

http://camaleaolunar.blogspot.pt/2011/01/2-de-fevereiro-senhora-das-candeias.html

http://castelodasandrix.wordpress.com/2012/02/02/imbolc-o-crescimento-da-luz/

06 janeiro 2013

Epifania


Com a Epifania encerramos o tempo litúrgico do Natal, retomando-se o tema da luz. E tal como o Abade Stephane afirmou, no se trata solamente aquí de los diversos modos posibles de la Revelación, no siendo el modo histórico más que uno particular, adaptado al «momento cósmico», sino que se trata de la Revelación esencial de Dios a si mismo, que es el Prototipo supremo de todos los modos de «revelaciones» posibles. (...)







Bênçãos de Prosperidade (ouro), Iluminação (incenso) e   Renascimento (mirra)!




Fonte:
http://www.sophia.bem-vindo.net


02 janeiro 2013



"Bom ano, feliz ano novo! Neste primeiro dia, vós estais todos cheios de esperança. Dizeis para convosco: «Não obtive aquilo que desejava durante o ano que está a terminar, mas agora, com o novo ano, vou conseguir.» Cada novo ano traz a esperança mesmo aos que têm menos meios. No fundo de si mesmos, talvez eles até nem acreditem muito, mas têm sempre alguma esperança. Em cada ano novo, a esperança renasce: não podeis não pensar que alguma coisa vai melhorar para vós, que se vai abrir uma porta. Vós direis: «E se nada melhora, se nenhuma porta se abre?» Abrir-se- à pelo menos uma porta se pensardes que também vós tendes algo a fazer para que isso aconteça. Como? Projetai-vos pelo pensamento em certas situações da vossa vida e imaginai que agis com justiça, com sabedoria, com amor. Trabalhando dessa forma, já estais a preparar o vosso futuro. Se fordes sinceros, perseverantes, influenciareis as forças da natureza e as entidades luminosas do mundo invisível: elas virão contribuir para a realização dos vossos bons desejos."

Omraam Mikhaël Aïvanhov

31 dezembro 2012



A cada ano fazemos deste poema os nossos desejos para o ano seguinte e em todos os anos que se sucederem para cada um:

"Que a minha prece seja, não para ser protegido dos perigos, mas para não ter medo de enfrentá-los.
Que a minha prece seja, não para acalmar a dor, mas para que o coração a conquiste.
Permita que na batalha da vida não procure aliados, mas as minhas próprias forças.
Permita que não implore no meu medo ansioso por ser salvo, mas que aguarde a paciência para conquistar a minha liberdade".

 Rabindranath Tagore

Fonte:

30 dezembro 2012

Ritos...


Falar da noite de 31 de Dezembro é, obrigatoriamente, lembrar praxes, superstições, costumes ligados ao ano que finda e nos permitem, pela sua vertente profiláctica e intercessora, ter esperança no novo ano que começa. Com essa crença, comem-se passas de uva, fazem-se soar apitos, colocam-se na cabeça chapelinhos coloridos, veste-se uma peça de roupa azul, salta-se para cima de uma mesa ou de uma cadeira, bebe-se uma taça de champanhe, deita-se fora um caco velho. Repetem-se, por escrito ou de viva voz, os votos de «boas saídas», «boas entradas», «prosperidades», «saúde», «paz», «felicidade».

Tudo isto a fazer lembrar remotas sobrevivências de ritos mágico/propiciatórios de purificação, de abundância e de fertilidade, assim como de excomunhão de poderes maléficos ou nocivos.
(...)
O costume de se fazer barulho na noite do ano que começa, terá o sentido popular de «enxotar o velho» (o ano que termina), prática seguida noutros países, em que se fazem ainda grandes fogueiras na Noite de Ano Novo para «queimar o ano velho» e se realizam praxes mágicas com o fim de «expulsar as bruxas e os espíritos maus».

O hábito, antiquíssimo, de atroar os ares com maior ou menor barulheira, utilizando diversos objectos (latas ou tampas de panelas), poderá ter a sua origem em certos países da Europa e noutros onde se procedia ao ritual «de se bater com um pau (ou mangual) no chão de cultivo durante a noite do último dia do ano e nas noites seguintes», com a intenção de «afugentar os espíritos malignos que prejudicavam a renovação do solo, o revigorar das raízes e o germinar das sementeiras».

Também a tradição de «escacar» (partir) loiça já velha constitui uma prática com objectivos mágicos, profilácticos ou propiciatórios, ligados ao sentido de felicidade.

Nas nossas aldeias, em tempos idos (o mesmo acontecendo noutros países), havia o uso de as mulheres irem guardando, durante o ano, a loiça velha, principalmente loiça de barro (cântaros, tachos, bilhas rachadas, sem asas, sem bico), para ser completamente «escaqueirada» na noite de passagem de ano, juntando-se o povo nas ruas para assistir e participar no ritual – ainda aqui simbolizado pelo acto de «deitar fora o ano velho».

Outro costume que se conserva em algumas aldeias portuguesas (como na Beira Baixa e Alentejo), consiste em marcar as portas com farinha na Noite de Ano Novo, para «dar sorte». Chamado, popularmente, «o milagre das portas», conta que «um soldado de Herodes terá descoberto a casa onde Jesus se albergava. Por ser de noite lembrou-se de marcar a porta com farinha. De manhã, quando regressou com outros soldados, todas as portas estavam marcadas do mesmo modo, acabando os perseguidores por desistir da busca». Lenda semelhante vamos encontrá-la pela Páscoa, com as portas assinaladas com ramos de giesta.


O Ramo
Antes da chegada do ano novo, os habitantes de Réfega (Bragança) preparam um ramo composto por doces, frutos e cigarros o que, segundo a crença, o transforma numa árvore fértil.
No dia de ano novo o ramo é leiloado em hasta pública, revertendo as dádivas para as despesas desta Festa do Ramo.
Já em Rio de Onor, que também cultiva a tradição do ramo, este ritual é protagonizado pelas jovens da terra. Dias antes, as zeladoras da santa (Nossa Senhora de Fátima) fazem o seu peditório pelas casas da aldeia. A finalidade é reunir géneros necessários para o arranjo do ramo. "A base fundamental é a chouriça e algum salpicão; chegam a juntar mais de 15 quilos de chouriças, fora os salpicões", explica um morador. No entanto, outros géneros podem ajudar a compor o ramo, algum tipo de guloseimas, chocolates e bolos confeccionados pelas próprias moças.

O ramo dos Reis assim preparado integra a liturgia da missa, "é conduzido em cortejo e com o acompanhamento de todos os habitantes para a igreja". No fim da missa é leiloado no adro, à frente do povo e perante a cobiça de alguns forasteiros que aqui se deslocam com a finalidade de adquirirem o fumeiro do ramo. O resultado do leilão reverte a favor da Santa.

Idêntico ao ritual do "charolo" (andor adornado com roscas de pão) celebrado em outras terras do Nordeste, o ramo enquadra-se cabalmente nas festividades agrárias, de celebração da fertilidade e da abundância e possui um significado perfeitamente condizente com a nossa religiosidade popular: oferecer à divindade o que de melhor se possui, para que a divindade seja generosa, ao ponto de multiplicar as oferendas, no novo ano e no ciclo agrário que se inicia na Natureza.


Fontes: