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21 março 2014
20 março 2014
Equinócio da Primavera
Por Omraam Mikhael Aivanhov
![]() |
| Ostara - Jaine Rose |
(...)
Já vos apercebestes de que por toda a parte, à nossa volta, está
para se produzir um acontecimento que se chama "Primavera"...
Ah! Já vos destes conta... É magnífico! Sente-se que tudo mexe, é
uma nova vaga que brota do Cosmos e daqui a muito pouco tempo, sobre
toda a Terra, as flores, as árvores, os pássaros... que adornos!
Eis um dos mais extraordinários fenómenos da vida: a Primavera.
Em
cada ano, tudo se renova... Sim, tudo, excepto os humanos! Esses
ficam tais como são, não se põem em sintonia com esta renovação.
Eles sentem bem que se passa qualquer coisa no ar, mas não se deixam
influenciar. É preciso que aprendam a abrir as suas portas e janelas
para que esta vida possa penetrar neles e impregná-los. (...) Porque
é pena que esta renovação se produza só na Natureza, e que os
humanos, demasiado concentrados sobre coisas velhas, quase não dêem
por ela. É preciso estar livre, desapegado, e receber de braços
abertos esta vida nova. (...) Esta voz que se faz ouvir e diz a todos
os gérmens, a todas as sementes: "Vamos, despertai, crescei
agora!" é de uma potência espantosa, mas a maior parte das
pessoas estão surdas para ela, e continuam na mesma, entorpecidas,
estagnadas.
Para
um Iniciado, este período do equinócio da Primavera é muito
importante. Ele sabe utilizá-lo para fazer todo um trabalho de
purificação, de regeneração. Sim, não basta notar que os
pássaros cantam, que as flores crescem e que as pessoas estão um
pouco mais alegres. Há todo um trabalho a fazer, um trabalho de
renovação. Deixai todos os outros assuntos de lado, tudo o que já
está velho e caduco, e concentrai-vos unicamente na nova vida para
poderdes entrar em comunicação com a enorme corrente que brota do
coração do Universo.
Sim,
alegrai-vos, a Primavera está aí, cantai, dançai! Dirão alguns:
"Para nós, acabou-se... a Primavera é para os jovens."
Aqueles que raciocinam assim separam-se da vida. Todos devem caminhar
em sintonia com a renovação, porque não há aqui distinção a
fazer entre jovens e velhos. Já ouvistes alguma vez árvores velhas
dizerem: "Bom, sabe, nós já passámos a idade de florir e de
reverdecer, deixamos isso agora às jovens?" Não, também elas,
na Primavera, se cobrem de flores e de folhas. Por conseguinte, mesmo
as velhas avós, mesmos os velhos avôs, devem entrar na roda,
saltitar, pular, dançar e tudo lhes correrá melhor.
Como é
possível não se ver que toda a Natureza pensa e nós? Em cada ano,
pela Primavera, ela envia-nos todas as energias e estimulantes de que
temos necessidade para o resto do ano, e cabe-nos a nós não os
deixar passar sem guardar nada.
Já
recebestes muito esta manhã ao nascer-do-sol. (...) Reparai ao menos
no trabalho que ele faz sobre todas as sementezinhas que estavam
adormecidas! Ele disse-lhes: "Mas do que é que estais à
espera? Agora, é preciso dar qualquer coisa. Vamos, ála! Ao
trabalho! - Mas nós somos pequenas, somos fracas... - Não, não,
experimentai e vereis, eu vou ajudar-vos." E, então, todas
essas sementes tomam coragem. Todos os dias o Sol as aquece, as
acaricia, lhes fala, e, após algum tempo, aparecem flores magníficas
ao pé das quais os poetas, os pintores, os músicos, vêm
encantar-se e inspirar-se. Porque é que não há-de acontecer a
mesma coisa connosco?
Nós
somos sementes plantadas algures no solo espiritual (...).
É
isto, pois, a renovação, a regeneração que se aproxima, e é este
processo que nos interessa; tudo o resto deve ser posto de parte.
Este período do equinócio da Primavera é um dos mais importantes
do ano.
Fonte:
AIVANHOV, M.: O Natal e a Páscoa na tradição iniciática, Edições Prosveta, 1982, pp.77-80
04 março 2014
Máscaras de Noémia Delgado
Ao terminar o Entrudo, destacamos o documentário realizado por Noémia Delgado, em 1976, dedicado às celebrações dentro do ciclo invernal.
Nota de advertência para algumas imagens que podem ferir a sensibilidade do espectador!
Fonte
http://archaeoethnologica.blogspot.pt
03 março 2014
A Alma do Entrudo
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| Carlos González Ximénez - Álbum de Carnavais Rurais aqui |
Na
fronteira entre o Inverno e a Primavera, os demónios andam à solta
em Lazarim. Com cerca de 700 habitantes e um único acesso por
estrada, esta vila do concelho de Lamego é palco de um dos Entrudos
mais genuínos de Portugal.
A
festa começa muitas semanas antes do domingo gordo. Os artesãos
esculpem as máscaras dos caretos em madeira de amieiro, os rapazes e
as raparigas miram os defeitos uns dos outros para redigirem depois
os ácidos testamentos em rima. Terminada a queima do compadre e da
comadre, todos se juntam no terreiro do Carnaval para partilhar os
sabores de uma feijoada e de um caldo de farinha.
Reportagem
de Manuel Vilas Boas com montagem e sonorização de João Félix, a 24 de Março de 2006. Para ouvir aqui.
08 dezembro 2013
Espiral de Advento
Na segunda semana do Advento, ainda a espiral... e o caminho de Maria, o caminho de todos nós.
Espiral
como energia cósmica, sol, nascimento, morte e renascimento. Símbolo
de evolução e involução. Presente em muitas culturas, ao ser
associada à vida, está representada em muitas divindades femininas
do paleolítico.
Advento
é tempo de contemplação, de preparação, de espera pelo que virá
durante as festividades do Inverno. Tempo de procura.
Na
orientação Waldorf o cerimonial do Advento e do Inverno celebra-se
através de um ritual que tem como base uma espiral:
Evergreen
boughs are laid on the floor or ground to create a spiral. In the
center of the spiral is a lit candle. The room is darkened (or it is
nighttime if held outdoors) and each child takes a turn to walk the
spiral holding an unlit candle. As the child reaches the center, she
lights her candle from the center candle and then retraces her steps
out of the spiral. The child brings forth the Light as she walks
outward and chooses a place along the spiral to set her lit candle.
As child after child has a turn and more and more lit candles grace
the spiral, the room becomes increasingly filled with light. Nothing
formal is explained to the children; it is a lived experience that
takes place within them at a level beyond words.
Espiral
de luz, movimento e mudança.
A
liturgia celebra frequentemente a Virgem Maria como exemplo durante
esta época do Advento, designadamente as Igrejas Ortodoxas. E
curioso, ou não, a ligação da espiral/labirinto ao nascimento -
(...) the baby begins its birth journey in the center of the spiral,
which represents the womb, and during the course of labor, it follows
the rings in the spiral until it tumbles out. (Pam England, Labyrinth of Birth, p. X).
31 outubro 2013
Halloween... Samhain... por cá são os Magustos!
O título do post de hoje é daqui.
Finaliza a época das colheitas. Entra a estação da escuridão.
O véu entre o mundo dos vivos e dos mortos torna-se mais ténue. Celebra-se a morte e o renascimento, honrando os antepassados.
O elemento fogo, presente nas fogueiras, purifica e protege, despoletando uma postura intropectiva, tal como as sementes que se vão desenvolvendo na terra.
O autor galego José Manuel Barbosa refere que "ao nome de Magusto têem-se-lhe dado várias orígenes etimológicas dentre elas a de “MAGNUS USTUS” que vem significar al assim como “grande fogueira” donde MAGNUS é grande e USTUS, queimado, ardido, o participio passado do verbo “Uro”, arder, queimar. Pode ter umha certa lógica mas nós quigêramos propor outra desde aquí que tem a ver com as palavras “MAGUS” feiticeiro, bruxo, mago e “USTUS”. A maioria das palavras em galego-português provêem do acusativo latino que neste caso seria “MAGUM USTUM” donde seria mais fácil explicar a deriva para “Magusto”, e mesmo em dativo “MAGO USTO” literalmente “…ao ou para o mago queimado” querendo falar quiçá dumha fogueira para queimar magos segundo criterios anti-pagaos medievais? Quiçá se refira à fogueira onde os magos faziam as suas queimadas entendidas como rituais com fogo? Pode derivar daí a queimada galega com o seu ritual hoje vulgarizado e desprovido de qualquer conotaçom esotérica?
Recomendados dois artigos sobre a presença dos magustos/magostos no património imaterial galego-português - aqui e aqui.
Festa da cabra e do canhoto e mais aqui.
23 setembro 2013
22 setembro 2013
Equinócio de outono
Tempo de colheitas. Tempo de honrar a nossa jornada e apreciar as sementes plantadas e o seu desabrochar. Abrir o coração em gratidão...
... Os dias vão reduzindo a sua duração, a natureza e o Homem entram num período introspectivo, necessário para renovação e amadurecimento. No Homem e na Natureza, há sementes que só germinam, árvores que só dão fruto, após o frio necessário para lhes quebrar a dormência, após a acalmia e o recolhimento invernal.
Assim, que este Outono que se avizinha seja produtivo em reflexão e projectos que fertilizem e renovem a nossa esperança individual e colectiva, a nossa vitalidade e capacidade de vencer as maiores dificuldades.
Que a crise possa ser oportunidade para revitalizar as nossas raízes e a nossa ligação à terra, reencontrando nela rumo e identidade.
Saibamos passar além deste Bojador, sulcando novos e melhores caminhos.
Fonte:
04 setembro 2013
September new moon - ayurvedic seasonal wisdom for autumn
As the
second full moon of August waxes towards the first new moon of
September here in the mountain there has been a definite shift
towards autumn that can be felt in the cool mornings and earlier
evenings, and can be seen in the first yellow leaves beginning to
fall from the trees. The fullness of summer has passed, and though
there will hopefully still be many sunny days to come, the energetic
quality of the season has changed into a deeper, slower rhythm. I can
feel it as a call to sit longer in my meditation, and a craving for
soups simmered in my crockpot. I feel less desire to rush, or to fill
every minute of my day, but instead am relishing the space in between
activity when I can just pause and relax with a good book or simply
sit on the porch and listen to the wind in the trees. The intensity
of summer is passing and with it the increased subtlety of autumn is
being revealed.
According
to Ayurveda the season of fall to early winter is ruled by the
elements of Air and Ether, which means the qualities of dryness,
subtlety, movement & spaciousness are most dominant. Each
season has its inherent wisdom and offers us teachings if we are
sensitive enough to receive them. As we become more attuned to
the rhythms of nature we will find that we naturally begin to shift
our diet and our activities to reflect the changes in season, and
these changes will allow us to synchronize with the new season so
that we can avoid imbalances. Common autumn imbalances are colds and
flus, achy joints, dry skin, constipation, nervousness, and anxiety.
However
when we are in balance autumn becomes a time when we are most
naturally drawn inwards and the mind becomes clear, capable of making
decisions from a place of enhanced intuition and insight. It is the
time of year when our minds most want to be nourished with knowledge
and inspiration as well so it seems no coincidence to me that this is
the season that we go “back to school”, as the mind is naturally
more curious at this time of year. Which means this can also be a
great time of year to undertake a new course of study or attend to
creative projects. The higher levels of physical activity that are so
natural during the long days of summer seem too frenetic now and we
will naturally feel less desire to rush around. In fact rushing and
overfilling our calendar during this season can lead to a mind that
feels ungrounded and a body that is tense and tight. As much as
is possible try to avoid doing more than you need to each day and
instead used the increased quality of focus that this season brings
to become more efficient and organized in your actions so that there
is some space for stillness in your day and your movements are not
frenzied. Autumn is the key time during the cycle of the year
to create and establish healthy routines and rituals, and it is the
time where we will become the most imbalanced if our rhythm is
erratic and so placing your attention on creating these healthy
rhythms can be one of the best ways to utilize your energy at this
time of year.
As far
as our diet goes the best foods to eat this time of year are foods
that are naturally sweet, salty or sour. These are the tastes that
will build tissue, allowing us to feel insulated against winters
chill, moisten tissue to combat the dryness of this season, and
stimulate digestion, which can be weak as we shift from summer to
fall. Examples of naturally sweet foods that are harvested this time
of year are root vegetables, stewed apples, and grains. The sour
taste can be found in naturally fermented foods, which will help,
build healthy intestinal flora and lemons, which are cleansing and
warming as well. The salty flavor is naturally found in seaweeds,
which can be added to autumn stews to increase mineral uptake and
ground the mind. In general eating more cooked foods and foods
that have a high water content like soups and stews is a good idea
this time of year and you will probably find you have less interest
in salads and ice cold drinks.
Autumn
is also a very good time to do a simple cleanse to remove any excess
heat from the tissues of the body, and the mind. Examples of this
would be sticking to vegetable broths, fresh vegetable juices, stewed
fruits, and herbal teas for a few days while cutting out excess
activity and mental stimulation. Or doing a
classical Kitchari cleanse if you feel a need for deeper
nourishment and grounding. The simplicity of cleansing is key for
body and mind and I have found that making a habit of cleansing in
spring and fall is one of the easiest ways for me to nourish my
health and keep my immunity high.
(...)
Fonte
24 junho 2013
São João
Por Flor
Festa cíclica, de raiz pagã, que assenta, fundamentalmente em “sortes” amorosas, encantamentos e divinações que se devem relacionar, por um lado, com o casamento, a saúde e a felicidade, mas que andam também estreitamente ligadas aos antigos cultos pagãos do Sol e do fogo e às virtudes das ervas bentas, ao orvalho, às fogueiras, à água dos rios, do mar e das fontes.
Quem saltar a fogueira na noite de S. João, em numero ímpar de saltos e no mínimo três vezes, fica por todo o ano protegido de todos os males.
Diz a tradição que as cinzas de uma fogueira de S. João curam certas doenças de pele. Para certos males, são benéficos os banhos que se tomem na manhã do dia de S. João, mas antes do Sol nascer. No Porto, os que se tomavam nas praias do rio Douro ou nos areais da Foz, valiam por nove...
As orvalhadas têm a ver com a fecundidade. Uma mulher que se rebole de madrugada sobre a erva húmida dos campos (“...para tomar orvalhadas / nos campos de Cedofeita”) fica apta para conceber. Segundo um conceito antigo as orvalhadas eram entendidas como o suor ou a saliva dos deuses da fertilidade. Uma outra velha tradição assegura que os namoros arranjados pelo S. João são muito mais duradouros do que os que se formam pelo Carnaval “que não vêm chegar o Natal..."
Em Beja põem-se, numa tábua, 12 montinhos de sal, aos quais se dão os nomes dos meses. Passam depois a tábua pelo fumo de uma fogueira e deixam-na ficar toda a noite ao relento da manhã. Antes de o sol nascer, correm à tábua para examinarem qual dos montinhos de sal está mais húmido, e é então que sabem quais os meses em que choverá mais, segundo os nomes que lhes deram e a humidade de cada um.
Em Trás-os-Montes, acreditava-se que o costume de as raparigas cortarem as pontas do cabelo e, antes do nascer do Sol, as colocarem sobre uma silva mansa fazia com que as pontas não voltassem a espigar.
Por todo o País, criaram-se estas lendas em volta da noite de São João.
Em Lisboa diz-se que se na noite de São João a rapariga põe a mesa com dois pratos, talheres e comida e à meia-noite começa a comer, no lugar vazio surge-lhe a figura do futuro noivo.
No Algarve, segundo a tradição local, enquanto as raparigas dançavam em redor de um mastro enfeitado com madressilva e flores de São João, os rapazes saltavam a fogueira, o que os tornava homens adultos e protegia as crianças das doenças.
As mães passavam por cima das chamas (sem queimar, claro) as crianças doentes ou fracas, e para todos era bom dizer quando saltavam a fogueira:
"Fogo no sargaço,
saúde no meu braço.
Fogo no rosmaninho,
saúde no meu peitinho."
A noite de São João é considerada mágica desde a Idade Média. Diz-se que as "mouras encantadas" deixam a forma de cobras, com que vivem todo o ano, e vêm à tona da água com figura humana. Na madrugada de São João vão as mouras estender os seus tesouros à orvalha do campo. Esses tesouros ficam aí encantados sob a forma de figos. Se alguém passa, os apanha e não os come, transformam-se em verdadeiros tesouros. Se, porém, a pessoa que os apanha os come, reduzem-se logo a carvão.
| Estrela Faria - Feira de S. João |
Fontes
21 junho 2013
Summer Solstice manifests the power and grace of Agni, the Sacred Fire
This
solstice may our prayers bring harmony and peace to the suffering and
strife in the existing worldly Maya. May Ma Ganga heal the Himalayas
and bring respite to every pilgrimage caught in her whirlpools!
The Summer Solstice marks the longest day of the year, in which the northern hemisphere is most aligned with the rays of the Sun. As the Sun is the source of Light, Prana, wisdom, intelligence and awareness for the planet, it is a most auspicious day. This June 20-21 solstice day is marked by several astrological events.
In the Rig-Veda the ancient Hindu scriptures ‘Ayur’ is explained as Agni or fire which encompasses our soul stirrings or essence of life. The soul or reincarnating being is veiled in the body, mind and consciousness in the form of fire and Light. On the summer solstice, that energy of light is most evident.
The solstice energy is ideal for sadhana or spiritual practices and also highlights the continual outward difficulties in the world as we continue to head into a global time of dilemma and quandary. The solstice is a great day in which to aspire to the highest and to transcend time and space altogether.
The world today is drawing in the adverse aspects of the fire element mirroring our karmic patterns of upheaval causing floods in some areas, fires in nature burning down the flora and fauna in other areas. We see the reality of this fire principle stoking the unrest in our minds and hearts worldwide. We need to harmonize and draw in the positive aspects of the fire element, the powers of Divine light, love, nurturing and compassion in order to counter our capricious nature.
The
solstice is a time of sacred contemplation, celebration and
initiation into ancient fire ceremonies. Agni or the sacred fire
manifests in our lives through Mother Earth, Mother Nature, the
cosmic heavens and our own deeper internal fires of intelligence,
consciousness and bliss.
Presently there is a powerful Kala Sarpa Yoga or Serpent of Time, where all the planets are caught up between the nodes of the Moon. Kala Sarpa Yoga causes significant and unexpected disruptions in the outer world and in our inner world, causing problems with communication, electrical energies and atmsopheric forces. The Kala Sarpa Yoga reflects being caught up in karmic forces, compelling us to take a deeper view of the larger picture.
Presently there is a powerful Kala Sarpa Yoga or Serpent of Time, where all the planets are caught up between the nodes of the Moon. Kala Sarpa Yoga causes significant and unexpected disruptions in the outer world and in our inner world, causing problems with communication, electrical energies and atmsopheric forces. The Kala Sarpa Yoga reflects being caught up in karmic forces, compelling us to take a deeper view of the larger picture.
(...)
At the dawn of this solstice may we welcome the transition through deeper sadhana with prayer, tapasya, puja and solitude, offering water and honey to the rising Sun with Surya mantras and invocations. One should take the time to honor the Sun, chant the names of the Sun, particularly while standing in water, and to offer ghee and honey to the Sun in the form of a murti, Yantra or stone. The Sun can grant us health, success in career, and spiritual knowledge. One can contact the Soma or bliss energy of the Sun with mantras on the Summer Solstice. The powerful Paramjyoti mantra invokes the Supreme Light!
Let this year be a sattvic celebration of the soul and not a rajasic overture of tamasic aspirations. We need to calm and heal the energies around us to dissipate the aggression and turmoil.
May we bow this day to the awesome power of Surya Deva, the Sun Lord and seek divine blessings for a harmonious existence in sync with Mother Earth and Mother Nature.
Jai Ma Guru!
Fonte
Yogini Shambhavi Shakti Dharma
20 junho 2013
Solstício de Verão
Por Margarida Oliveira
SOL
Divindade
envolta num profundo mistério relacionado com os fenómenos vitais.
Símbolo da libertação da opressão invernal que submerge, os
países setentrionais e circumpolares, num longo e escuro período de
esterilidade. É o pêndulo do relógio que marca as horas do
princípio e do fim das estações do ano.
No seu
curso crescente, iniciado logo após a noite mais longa do Solstício
de Inverno, o Sol vai abrindo brechas na penumbra até à sua
consagração no Solstício de Verão. Vários povos representam esta
viagem, de vida, morte e renascimento, em expressivas espirais
solares crescendo a partir do estado de recolhimento, expandindo no
zénite estival e inflectindo, ao ponto original, imitando o minguar
do Sol com a aproximação do inverno.
Os
ciclos naturais, celebrados desde tempos imemoriais, expressam uma
matemática simbólica ao assinalarem a alternância das núpcias
cósmicas entre a bênção do céu e a generosidade da
terra.
O
Calor do Sol assemelha-se ao Calor Ígneo: ambos inacessíveis e
incomportáveis, ambos imprescindíveis à sobrevivência. O fogo
purifica e transforma. O Sol injecta nos solos o pulsar criador.
LITHA
Solstício
de Verão:
Regresso
do esplendor aos céus e da vida ao ventre da Mãe-Terra.
(...)
Festa
SOLAR
Celebração
elementar do FOGO.
O Deus
Sol no auge...
As
flores, as árvores, o verde em todo o esplendor...
Cernunos,
o Deus Cornudo, em toda a plenitude, maduro e feliz.
A
Deusa, fecundada no Beltane (01 de Maio) está grávida e assume os
atributos de Deusa Mãe.
No dia
mais longo do ano a luz prevalece sobre a escuridão garantindo poder
e protecção. Celebra-se a abundância. Celebra-se a Vida
Outras
denominações existem para este festival:
·“CoamHain - Midsummer” (“meio
do verão” iniciado a 1 de Maio com as festividades do Beltane)
·“Alban
Heffin” (designação druídica) “Luz da Costa” ou “Luz
do Verão”, fazendo alusão ao triunfo da luz sobre as trevas.
Sob o
efeito excitante do Verão, a alegria apodera-se das gentes. As
consciências descontraem-se, num estado de alucinação sensorial e
sensual.
É no
estio que os dias adquirem especial poder, descrito por Rudolph
Steiner como o “phosphoro alquímico, invisível da
atmosfera”, através do qual “entidades oriundas dos
mundos estelares entram no nosso organismo etéreo, tornando-o
permeável a forças cósmicas necessárias à celebração da
metamorfose da alma”.
Todavia
é também hoje que o pico de luz entra em declínio culminando
no Samhain, Halloween ou Alban Arthan recordando
ao homem o quão transitória é a existência.
Lendas,
rituais, sítios e tradições seculares associam-se ao Solstício de
Verão, testemunhando a sua relevância cerimonial:
·Monumentos
megalíticos alinhados, nos solstícios, com o nascer e o pôr do
Sol...
·Colheita,
partilha e secagem de ervas medicinais e aromáticas que, pela
conjuntura astral, estão agora nutridas do máximo poder curativo,
alquímico e mágico do SOL...
·Banhos
purificadores e curas milagrosas ocorridas em rios, fontes e
cascatas...
·É
nesta noite a seiva das árvores está vivaz. Escolhem-se os ramos
para as varas de condão, usadas pelos celtas em círculos
cerimoniais e rituais de cura enquanto canalizadores de energia.
·O
sonhado, desejado ou pedido na noite de Litha realizar-se-á...
.Esta
noite que Puck, Pan, Elfos, Fadas, Duendes e Gnomos correm pelos
campos e florestas sendo facilmente avistados e contactados...
·Os
Druidas veneram Ogham – Duir, o Carvalho.
Árvore nobre, símbolo de força, sabedoria e iluminação, pelo
crescimento lento, como lenta é a maturação do espirito. A elevada
densidade da sua madeira corresponde à solidez espiritual adquirida
ao longo do caminho. O Carvalho está também associado à iluminação
devido ao especial tropismo dos relâmpagos por esta árvore.
·Rituais
de Fogo e Água remontam a ancestrais tradições pagãs, egípcias,
gregas, celtas e bárbaras: Rituais de fogo representando o poder
fecundador encarnado no Deus Cornudo; Rituais de água representando
a fertilidade de Deusa e simbolizados pelo caldeirão de Ceridwen.
Ânima
Lusa
Encontramos
hoje os ecos cristianizados de antigas tradições pagãs nas
celebrações do advento do verão, do Solstício e nas que decorrem
ao longo de todo o estio.
Alguns
autores afirmam que a tradição dos ritos solares foi trazida para a
Península Ibérica pelos árabes (acender fogueiras ainda é uma
prática comum em Marrocos e na Argélia). Todavia, nas nossas festas
e romarias é, também, evidente a influência celta, visigótica e
xamânica.
Hoje,
em Portugal, inicia-se um ciclo de dias longos e noites curtas,
plenas de eflorescência azulada mimetizando uma extensão dos dias.
Estas noites luminosas são realçadas pelas fogueiras e os
balões iluminados das festas populares que por estas paragens honram
Santo António, São João Baptista e São Pedro, numa espécie de
celebração da tríplice, solar e masculina.
Em
Junho e Julho, abarcando todo o período do signo de Caranguejo,
Portugal está cheio de festividades que pontuam pela cor, luz,
alegria e sedução amorosa.
Manjerico,
alecrim, funcho, tomilho, verbena, alho-porro, camomila, girassol...
Ervas aromáticas, curativas, mágicas, alusivas ao Sol, ervas que
nos inspiram e embriagam o espírito.
Igrejas,
altares, janelas, ruas e gentes vestem-se de branco, azul, verde,
amarelo, laranja e vermelho.
O fogo
é vivificado, numa reverência dionisíaca ao FOGO SOLAR iluminando
o céu e a terra:
Pelas
fogueiras que, se saltam para espantar o infortúnio e a
negatividade, feitas na rua e à porta de casa, purificam e abençoam
quem à sua volta dança e histórias conta;
Pelos
balões coloridos e iluminados que, pendurados em arcos ou lançados
ao céu, simbolizam estrelas cadentes na escuridão nocturna.
Estes
são ritos propiciatórios do Fogo, que até ao Equinócio de Outono,
ganha força sob a forma de calor, compensando o progressivo declínio
da luz.
Mas a
Tradição Mágica Lusitana não se fica pelo FOGO e o Masculino,
reverencia também a ÁGUA e o Feminino:
Água
da meia-noite, a “água nova” renovadora e mágica e a Água da
Alvorada. E por isso se dança até ao romper da aurora, para que o
Orvalho nos banhe e assim celebremos um novo ciclo anual.
A
sardinha, prateada e vivaz, simboliza as águas correntes e a Lua.
Abundantemente consumida nas festas de verão equilibra o Sol, a ele
se une e fortifica o Homem balanceando a dualidade sexual. E... é
esta união cósmica e ritual do Sol e da Lua que inspira a tradição
casamenteira da quadra.
O
casamento romântico dos enamorados e o casamento com Fadas ou Mouras
Encantadas simbolizando o tradicional ritual de passagem. Mouras
Encantadas que protagonizam inúmeras lendas do cancioneiro popular
Análogas de Artemisa, de Östara, Deusa Regeneradora dos Visigodos,
e da Serpente Guardiã da lenda nórdica de Thora.
Durante
o resto do ano as Mouras Encantadas estão adormecidas ou
transformadas em serpentes. No Equinócio da Primavera e no Solstício
de Verão aparecem em penedos remotos, bosques densos, fontes e
ribeiras, como belas donzelas, virgens de longos cabelos dourados e
de branco vestidas.
Possuindo
dons curativos e poderes mágicos que apaziguam as almas, fazem
nascentes brotar e ouro gerar, as “Senhoras Brancas”, vão
propondo casamento aos passantes e premeiam, com felicidade e
prosperidade, o corajoso jovem que se aventure as desposá-las
libertando-as do encantamento. Esta valência feminina, mágica e
sagrada na tradição nacional é tão importante que, esta quadra
solsticial, inaugura uma série de festividades alusivas a “Nossa
Senhora”, que se prolongam por todo verão e se celebram em
santuários arborizados e luxuriantes, localizados frequentemente em
montes e sítios ermos, de difícil acesso.
Portugal
transporta um passado ancestral e mítico de união com a Natureza
sendo disso testemunha o nosso folclore que remanesce como um
reservatório de cultos e tradições que, embora esmaecidos por
imposições dogmáticas, vão permanecendo nas romarias e festas
sazonais.
EPÍLOGO
Aos
Solstícios não ficam alheias as nossas consciências colectiva e
individual. São ancestrais os festivais solares, enquanto
representações da fusão dos Espíritos Superior do Sol, do Deus
Cornudo e do Homem. Já os gregos chamavam “Apolo de Chifres” ao
“Espírito Invisível do Sol” espelhando aquela interpenetração.
Reflectindo
os ciclos sazonais, de fertilidade e esterilidade, e estimulando as
forças sobrenaturais da personalidade, a Celebração Solar desperta
a nossa consciência atávica pois não só objectiva a sintonia com
a Natureza, mas também a Experiência Mística que profetiza, na
metamorfose da Terra, a potencialidade para a transformação do
Homem
“Onde
o Deus e a Deusa se Unem
Em
Perpétuo Amor e Fecundidade
Nasce
a Fertilidade e a Sabedoria"
Fonte
21 março 2013
Primavera de Miguel Torga
Glória
Depois do Inverno, morte figurada,
A primavera, uma assunção de flores.
A vida
Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores.
Anunciação
Surdo murmúrio do
rio, a deslizar, pausado, na planura.
Mensageiro moroso dum recado comprido,
di-lo sem pressa ao alarmado ouvido dos salgueirais:
a neve derreteu nos píncaros da serra;
o gado berra dentro dos currais,
a lembrar aos zagais o fim do cativeiro;
anda no ar um perfumado cheiro a terra revolvida;
o vento emudeceu;
o sol desceu;
a primavera vai chegar, florida.
Mensageiro moroso dum recado comprido,
di-lo sem pressa ao alarmado ouvido dos salgueirais:
a neve derreteu nos píncaros da serra;
o gado berra dentro dos currais,
a lembrar aos zagais o fim do cativeiro;
anda no ar um perfumado cheiro a terra revolvida;
o vento emudeceu;
o sol desceu;
a primavera vai chegar, florida.
Miguel Torga
20 março 2013
Equinócio da Primavera
Ancestralmente,
certos povos pré-históricos efectuavam diversos rituais, por altura
do equinócio da primavera, tendo como propósito nas suas preces o
desejo de um ano novo, do renovar da esperança e sobretudo do desejo
de abundância e fertilidade.
Alguns destes costumes pagãos, apesar de aculturados, chegaram até
nós com os mesmos propósitos de então. No Alentejo existe um
ritual, em S. Pedro do Corval, onde as mulheres atiravam, e ainda
atiram, calhaus rolados (supostamente ovos) para o topo de um menir,
denominado “Rocha dos Namorados”, de configuração erecta
(figura do órgão masculino), cravado na terra (símbolo da deusa
mãe) procurando assim a fertilidade e a fecundidade
desejadas. Segundo a tradição, ainda presente, as raparigas
solteiras vão à “rocha dos namorados”, na segunda-feira de
Páscoa, lançar uma pedra para cima do menir procurando resposta
sobrenatural em matéria do seu enlace: cada lançamento falhado
representa mais um ano de espera do seu casamento.
Numa
leitura mais atenta aos monumentos megalíticos circundantes,
encontramos o Alinhamento ou Cromeleque dos Almendres (estas
construções, únicas na Europa ocidental, estendem-se desde
Inglaterra até Portugal), um recinto alongado, com cerca de uma
centena de menires, na sua maioria de forma ovóide, que constituiu,
por certo, além de uma construção de carácter multifuncional
capaz de organizar e estruturar a sociedade envolvente, uma estrutura
de carácter religioso envolvendo, supostamente, rituais
propiciatórios de fecundidade. Um dos menires, situado na
extremidade norte, exibe três imagens solares radiadas. Tal
iconografia corresponde, provavelmente, ao momento final do
Neolítico, quando na região se fizeram sentir as primeiras
influências culturais das primeiras comunidades da idade dos metais,
portadoras de uma nova estrutura religiosa. Esta religiosidade
centrada numa divindade feminina, idealizada com grandes olhos
solares, assumira-se como a grande “deusa ibérica”. Certamente
que estas manifestações na Europa ocidental, feitas através
de cerimónias de carácter sexual, com libações e outras ofertas
corporais, não são alheias a um dos mais importantes rituais
em honra de Ishtar, deusa da fertilidade, deusa dos arcádios.
Esta divindade, Ishtar, não é mais do que a representação
da deusa Inanna, herança dos seus antecessores povos sumérios;
cognata da deusa Asterote dos filisteus; da
deusa Isis dos egípcios; e da
deusa Astarte dos Gregos. Mais tarde esta
deusa, Ishtar, foi assumida também na mitologia
Nórdica como Easter (Páscoa em Inglês), a deusa da
fertilidade e da primavera.
No
equinócio da primavera, os participantes em honra da deusa da
fertilidade Easter pintavam e decoravam ovos escondendo-os
em tocas nos campos, na sequência de anteriores práticas já
exercitadas pelos Persas, Romanos, Judeus eArménios.
No
século XVI, Cesare Ripa, no seu tratado de iconologia, descreve a
“Fecundidade” como uma “mulher coroada com folhas
de zimbro que com as mãos aperta contra os seus seios um ninho de
pintassilgos com os seus filhotes. Segundo Plínio, lib. X, cap. LXIII, o
pintassilgo é um dos mais pequenos mas dos mais profícuos
animais, pondo de cada vez doze ovos.
A seus
pés, uma galinha com os pintos recém-nascidos, saindo de cada ovo.
Do outro lado, uma lebre rodeada pelas crias.
O
zimbro é a planta que possui sementes capazes de alimentar os
animais. Os pintassilgos representam as crias, os filhos; as
galinhas, os ovos e os coelhos anunciam a fertilidade, que é a maior
bênção que uma mulher pode ter no casamento”.
Toda
esta imagem iconográfica (Mulher coroada com zimbro, acompanhada de
Ovos, Pintassilgos, coelhos, galinhas) evidencia a aspiração
ancestral do ser humano: o anseio de abastança, o desejo de
fertilidade e de fecundidade.
(...)
Fonte:
Os
equinócios são portais cuja travessia nos permite ascender a um
estado de consciência mais elevado e a um mais profundo conhecimento
de nós próprios. Pedem-nos que deixemos partir tudo o que já não
nos serve, abrindo assim espaço para o novo, que podemos então
acolher de todo o coração.
Os
equinócios (de aequus, ou igual, e nox,
ou noite) são, como o nome indica, períodos nos quais a noite dura
o mesmo tempo que o dia, ou seja, 12 horas. O equinócio é, a todos
os títulos, um momento excepcional no ano, quando o Sol, centro do
nosso sistema e sustento de toda a vida no planeta, determina o
equilíbrio perfeito dos pratos da balança cósmica. Pelo menos por
um instante, o instante equinocial, todas as possibilidades estão
suspensas na mais instável e delicada das harmonias.
(...)A
partir deste momento, a luz ganha a batalha contra a escuridão
invernal, e toda a Terra celebra a morte do ano velho e a entrada num
novo ano – embora por vezes, afirmam alguns, esta vitória da Luz
não se faça sem grandes perigos e agitação, associando-se os
momentos equinociais ao recrudescimento de guerras, sublevações e
catástrofes naturais. Afinal, dificilmente se abandona um sistema
por outro sem algum sofrimento e resistência.
Esta
é a época em que, conforme as nossas crenças e inclinações
naturais, festejamos a morte e ressurreição de Jesus, filho e fruto
de Maria, ou então o regresso de Perséfone, a Donzela, do mundo
subterrâneo, também ela símbolo da alma renascida após uma
descida às profundezas da materialidade. Este é o momento de
triunfo da Aurora, da Estrela da Manhã, de Astarte, Ísis, Afrodite,
Deméter e Maria, quando a Natureza carregada com as suas primícias
se revela num festival de abundância, sabores, cores e perfumes sem
par. Este é o tempo da Deusa fértil, dando à luz os rebentos
infinitamente variados de toda a Criação, e é também o tempo dos
seus filhos sagrados, sejam Cristo, Adónis, Osíris ou Dionísio, em
cada ano mortos como a vegetação mas destinados a renascer em cada
Primavera.
Nesta
altura do ano temos a oportunidade, mas também o dever, de fazer uma
verdadeira Limpeza da Primavera nas nossas vidas. Planear uma limpeza
ou organização da casa, ou de algum aspecto do nosso quotidiano,
pode ser uma boa maneira de dar início ao processo. A energia
equinocial apoia-nos neste momento, quando despertamos da letargia
invernal ávidos de luz, de ar puro e de beleza. Trata-se de deixar
entrar essa luz e ar e de criar essa beleza também em nós e no
mundo que nos rodeia, pelo qual somos responsáveis, e que, sendo um
Cosmos em miniatura, é símbolo do Universo inteiro. Sejamos nós
também Criadores, parceiros da Natureza, e exultantes com a nossa
própria Criação, por mais modesta que pareça.
(...)
Fonte:
02 fevereiro 2013
A Festa da Luz, da Candelária (Imbolc)
Por
estes dias (1 e 2 de fevereiro), sagrados para as antigas tradições matriarcais,
acendia-se, mais uma vez, o fogo. O culto do fogo perpétuo tem
raízes na aurora da humanidade, para quem este fogo era essencial
para a sua própria sobrevivência. Representando o retorno do calor
e o incremento da luz solar, da Luz da Vida, o acordar da terra e a
preparação desta mesma ao encontro da primavera, da fertilidade.
A
Deusa céltica do Fogo, Brighid, é homenageada com fogueiras, rodas
solares, coroas de velas e rituais, procurando assim despertar o fogo
criador. Esta Deusa Tríplice guia-nos ao Entrudo com os seus
atributos, regendo a Inspiração (arte, criatividade, poesia e
profecia), a Cura (ervas, medicina, cura espiritual e fertilidade) e
a Metalurgia (ferreiros, ourives e artesãos).
A data foi cristianizada com o nome de Nossa Srª das Candeias, ou
Candelárias, no dia 2 de Fevereiro, sendo uma festa igualmente
feminina onde é (era) habitual haver uma cerimónia de benção e
procissão das velas.
São
cerca de 70 as localidades portuguesas que têm por padroeira a Nossa
Senhora da Luz, Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora da
Purificação. Entre outras tradições, esta celebração envolve
uma novena, a decoração especial da igreja e uma procissão. No
inicio da expansão do cristianismo, as populações mantinham a
tradição pagã de acender velas, pelo que os sacerdotes começaram
a encaminhar as procissões para o interior das igrejas, criando
assim as procissões de velas.
Segundo
alguns saberes ancestrais, este dia assinala também o inicio da floração
das oliveiras (oliveiras = azeite = luz) e é tempo de se
comerem filhoses (antigamente também fritas em azeite), que
têm anualmente três dias específicos: o natal, 8 de
Dezembro (Imaculada Conceição) e este mesmo dia.
Imbolc, Candelária, Festa de Brígida... Em qualquer das tradições em apreço celebra-se o fim do Inverno e o retorno da Luz primaveril.
Fontes:
http://castelodasandrix.wordpress.com/2011/02/01/a-festa-da-luz-imbolc-the-celebration-of-light-imbolc/
http://durvate.wordpress.com/2012/01/31/vem-ai-o-entroido-imbolc/
http://camaleaolunar.blogspot.pt/2011/01/2-de-fevereiro-senhora-das-candeias.html
http://castelodasandrix.wordpress.com/2012/02/02/imbolc-o-crescimento-da-luz/
06 janeiro 2013
Epifania
Com a
Epifania encerramos o tempo litúrgico do Natal, retomando-se o tema
da luz. E tal como o Abade Stephane afirmou, no se trata solamente
aquí de los diversos modos posibles de la Revelación, no
siendo el modo histórico más que uno particular, adaptado
al «momento cósmico», sino que se trata de la Revelación esencial
de Dios a si mismo, que es el Prototipo supremo de todos
los modos de «revelaciones» posibles. (...)
Bênçãos de Prosperidade (ouro), Iluminação (incenso) e Renascimento (mirra)!
Fonte:
http://www.sophia.bem-vindo.net
02 janeiro 2013
"Bom
ano, feliz ano novo! Neste primeiro dia, vós estais todos cheios de
esperança. Dizeis para convosco: «Não obtive aquilo que desejava
durante o ano que está a terminar, mas agora, com o novo ano, vou
conseguir.» Cada novo ano traz a esperança mesmo aos que têm menos
meios. No fundo de si mesmos, talvez eles até nem acreditem muito,
mas têm sempre alguma esperança. Em cada ano novo, a esperança
renasce: não podeis não pensar que alguma coisa vai melhorar para
vós, que se vai abrir uma porta. Vós direis: «E se nada melhora,
se nenhuma porta se abre?» Abrir-se- à pelo menos uma porta se
pensardes que também vós tendes algo a fazer para que isso
aconteça. Como? Projetai-vos pelo pensamento em certas situações
da vossa vida e imaginai que agis com justiça, com sabedoria, com
amor. Trabalhando dessa forma, já estais a preparar o vosso futuro.
Se fordes sinceros, perseverantes, influenciareis as forças da
natureza e as entidades luminosas do mundo invisível: elas virão
contribuir para a realização dos vossos bons desejos."
Omraam Mikhaël Aïvanhov
31 dezembro 2012
A cada ano fazemos deste poema os nossos desejos para o ano seguinte e em todos os anos que se sucederem para cada um:
"Que a
minha prece seja, não para ser protegido dos perigos, mas para não
ter medo de enfrentá-los.
Que a
minha prece seja, não para acalmar a dor, mas para que o coração a
conquiste.
Permita
que na batalha da vida não procure aliados, mas as minhas próprias
forças.
Permita
que não implore no meu medo ansioso por ser salvo, mas que aguarde a
paciência para conquistar a minha liberdade".
Rabindranath
Tagore
Fonte:
30 dezembro 2012
Ritos...
Falar
da noite de 31 de Dezembro é, obrigatoriamente, lembrar praxes,
superstições, costumes ligados ao ano que finda e nos permitem,
pela sua vertente profiláctica e intercessora, ter esperança no
novo ano que começa. Com essa crença, comem-se passas de
uva, fazem-se soar apitos, colocam-se na cabeça chapelinhos
coloridos, veste-se uma peça de roupa azul, salta-se para cima de
uma mesa ou de uma cadeira, bebe-se uma taça de champanhe, deita-se
fora um caco velho. Repetem-se, por escrito ou de viva voz, os votos
de «boas saídas», «boas entradas», «prosperidades», «saúde»,
«paz», «felicidade».
Tudo
isto a fazer lembrar remotas sobrevivências de ritos
mágico/propiciatórios de purificação, de abundância e de
fertilidade, assim como de excomunhão de poderes maléficos ou
nocivos.
(...)
O
costume de se fazer barulho na noite do ano que começa, terá o
sentido popular de «enxotar o velho» (o ano que termina), prática
seguida noutros países, em que se fazem ainda grandes fogueiras na
Noite de Ano Novo para «queimar o ano velho» e se realizam praxes
mágicas com o fim de «expulsar as bruxas e os espíritos maus».
O
hábito, antiquíssimo, de atroar os ares com maior ou menor
barulheira, utilizando diversos objectos (latas ou tampas de
panelas), poderá ter a sua origem em certos países da Europa e
noutros onde se procedia ao ritual «de se bater com um pau (ou
mangual) no chão de cultivo durante a noite do último dia do ano e
nas noites seguintes», com a intenção de «afugentar os espíritos
malignos que prejudicavam a renovação do solo, o revigorar das
raízes e o germinar das sementeiras».
Também
a tradição de «escacar» (partir) loiça já velha constitui uma
prática com objectivos mágicos, profilácticos ou propiciatórios,
ligados ao sentido de felicidade.
Nas
nossas aldeias, em tempos idos (o mesmo acontecendo noutros países),
havia o uso de as mulheres irem guardando, durante o ano, a loiça
velha, principalmente loiça de barro (cântaros, tachos, bilhas
rachadas, sem asas, sem bico), para ser completamente «escaqueirada»
na noite de passagem de ano, juntando-se o povo nas ruas para
assistir e participar no ritual – ainda aqui simbolizado pelo acto
de «deitar fora o ano velho».
Outro
costume que se conserva em algumas aldeias portuguesas (como na Beira
Baixa e Alentejo), consiste em marcar as portas com farinha na Noite
de Ano Novo, para «dar sorte». Chamado, popularmente, «o
milagre das portas», conta que «um soldado de Herodes terá
descoberto a casa onde Jesus se albergava. Por ser de noite
lembrou-se de marcar a porta com farinha. De manhã, quando regressou
com outros soldados, todas as portas estavam marcadas do mesmo modo,
acabando os perseguidores por desistir da busca». Lenda semelhante
vamos encontrá-la pela Páscoa, com as portas assinaladas com ramos
de giesta.
O Ramo
Antes da chegada do ano novo, os habitantes de Réfega (Bragança) preparam um ramo composto por doces, frutos e cigarros o que, segundo a crença, o transforma numa árvore fértil.
No dia de ano novo o ramo é leiloado em hasta pública, revertendo as dádivas para as despesas desta Festa do Ramo.
Já em Rio de Onor, que também cultiva a tradição do ramo, este ritual é protagonizado pelas jovens da terra. Dias
antes, as zeladoras da santa (Nossa Senhora de Fátima) fazem o seu
peditório pelas casas da aldeia. A finalidade é reunir géneros
necessários para o arranjo do ramo. "A base fundamental é a
chouriça e algum salpicão; chegam a juntar mais de 15 quilos de
chouriças, fora os salpicões", explica um morador. No entanto,
outros géneros podem ajudar a compor o ramo, algum tipo de
guloseimas, chocolates e bolos confeccionados pelas próprias moças.
O ramo
dos Reis assim preparado integra a liturgia da missa, "é
conduzido em cortejo e com o acompanhamento de todos os habitantes
para a igreja". No fim da missa é leiloado no adro, à
frente do povo e perante a cobiça de alguns forasteiros que aqui se
deslocam com a finalidade de adquirirem o fumeiro do ramo. O
resultado do leilão reverte a favor da Santa.
Idêntico
ao ritual do "charolo" (andor adornado com roscas de pão)
celebrado em outras terras do Nordeste, o ramo enquadra-se cabalmente
nas festividades agrárias, de celebração da fertilidade e da
abundância e possui um significado perfeitamente condizente com a
nossa religiosidade popular: oferecer à divindade o que de melhor se
possui, para que a divindade seja generosa, ao ponto de multiplicar
as oferendas, no novo ano e no ciclo agrário que se inicia na
Natureza.
Fontes:
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